quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Declaração sobre Circos com Animais de Nuno Markl

Caros seguidores, confesso que não tenho tido muito tempo para escrever sobre os inúmeros temas que ainda desejo explorar neste blog. Por isso vou aproveitar e deixar-vos uma belíssima crónica de Nuno Markl. Apreciem!

"Há algumas semanas, num dia soalheiro, junto à Marginal, um circo encarregou-se de me estragar o dia. Mas isso é o menos, um dia estragado, para mim, será sempre uma coisa relativa quando alguém tinha o dia (ou, melhor dizendo, os dias) muito mais estragados que o meu.

Um dromedário debatia-se com uma chocante falta de espaço, encafuado dentro de uma jaula, sem saber o que fazer ao longo pescoço. Uma vida sem sentido, enfiada mal e porcamente numa caixa. Como um brinquedo, mal arrumado dentro de uma embalagem pequena demais.
Chamem-me esquisito, mas eu tenho esta ideia de que não é suposto um dromedário estar em Carcavelos, ao pé da Marginal. Muito menos amarfanhado numa jaula da qual sai só à noite, para entreter os humanos da linha de Cascais.

Como este dromedário, há muitos outros animais - grandes, pequenos, selvagens, domésticos - transformados em bonecos de corda confusos e tristes, em circos espalhados pelo país.

E sim, eu já fui criança e preparo-me para ser pai. Sei o quão apetecível é a perspectiva de estar perto de animais extraordinários e vê-los levar a cabo feitos impensáveis.
Mas os verdadeiros feitos impensáveis destas criaturas são os que eles levam a cabo todos os dias nos seus habitats naturais, de onde, em muitos casos, estão a desaparecer. A
 maneira como sobrevivem, como se organizam, como levam as suas vidas em liberdade e sem que haja um ser humano desumano a obrigá-los a fazer habilidades à força do chicote.
Há tanta gente a queixar-se que Portugal é um país eternamente atrasado, que é um país que não anda para a frente; sem dúvida que tratar os animais desta maneira abjecta para fins de entretenimento em nada contribuirá para que progridamos. Pelo contrário: isso mantém um dos pés da nação firmemente plantados no passado.

E não é num passado qualquer: a existência de circos com animais e a maneira como tanta gente continua a caucionar essa existência, sejam particulares ou empresas (supostamente modernas, sofisticadas e responsáveis) que continuam a apostar neles, por exemplo, para as suas festas de Natal, é algo que - não tenhamos ilusões e enfrentemos a realidade - faz de nós um país demasiado medieval para o século XXI.

Somos melhores do que isso. Se admiramos os animais ao ponto de querermos que os nossos filhos os vejam de perto e os adorem, ensinemos-lhes que adorar um animal, é ter a consciência de que não é suposto um elefante, um tigre, uma pantera viverem dentro de jaulas num terreno vago ali ao pé de um prédio de apartamentos.

Provemo-nos merecedores de sermos chamados de humanos e civilizados. Sensibilizemos quem tem o poder de impedir que a terrível exploração de animais continue a acontecer nos circos portugueses.

Os circos podem - devem - continuar a existir. Inúmeros circos bem sucedidos, espalhados pelo mundo inteiro, conseguiram provar que um circo sem animais consegue ser ainda mais extraordinário e surpreendente que um circo que segue a via mais fácil e depende deles, arrogantemente, para fazer dinheiro. Um circo sem animais consegue mostrar o engenho humano voluntário de mil e uma formas surpreendentes. E isso é muito mais interessante e estimulante, para adultos e crianças, do que continuar a exibir o engenho animal forçado.

Nuno Markl"

Homens e Animais
A Voz da Razão in Correio da Manhã 09/Maio/2009

domingo, 9 de outubro de 2011

Abrigo para gatos de rua


O meu Gabriel, a certificar a qualidade do abrigo.

Deixo-vos aqui a "casota" que improvisei para os gatinhos que a Cláudia, do Porto, protege.

Assegura alimentação a 3 gatinhos que costumam pernoitar no quintal de uma vizinha, mas tinham muito frio durante a noite.


O esferovite é um óptimo isolante térmico, pelo que se ajusta perfeitamente à necessidade de proporcionar algum conforto aos nossos amigos peludos carenciados.
Tem a desvantagem de não ser propriamente discreto para ser colocado na rua, mas quando possível é, sem dúvida, uma opção fácil e económica.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Adoção responsável

Resgatar um animal da rua e dá-lo para adoção requer algumas precauções. Uma adoção por impulso, de alguém que não está seguro da sua opção de ter um animal de estimação, pode resultar em abandono ou negligência para com o animal. Pessoalmente, tento sempre certificar-me de que a pessoa que recebe o animal é um bom adotante.  Quando damos um animal deixámos de ser nós a garantir que vive condignamente, restando-nos confiar na pessoa que o adota. Por isso nunca é demais questionar, pedir ao adotante que nos envie fotos do animal periodicamente e fazer o adotante assinar um termo de adoção responsável. Peça à pessoa que o devolva se não se adaptar ou se se arrepender – assim minimiza o risco de que o animal que deu seja abandonado.

Aqui ficam alguns conselhos:

1 - É bastante comum as pessoas procurarem um animal para oferecer a outra pessoa. Deve sempre falar diretamente com a pessoa que vai receber o animal, para se certificar que o deseja realmente adoptar. Um animal nunca deve ser um presente surpresa.
Nunca entregue um animal a uma criança ou menor sem o consentimento dos pais.


2 - Pergunte ao futuro adotante se vive com outras pessoas e se estas também desejam receber o animal. Deve tambem informar-se se há alguém em casa que seja alergico a cães ou gatos.

3 – Certifique-se que o animal não terá acesso ao exterior desacompanhado. Atropelamento, lutas com outros animais e contágio de doenças são motivos que bastam para não se permitir que um gato ou um cão andem a passear sozinhos.

4 - Os gatos e cachorros vão, na maioria das vezes, causar alguns estragos como arranhar sofás ou roer objetos, correr pela casa ou saltar para cima de camas e deixar pêlos...
O futuro adotante deve ter consciência que ter um animal não é o mesmo que ter um peluche ou um cão de loiça.

5 – Pergunte à pessoa se tem outros animais; se a resposta for positiva, pergunte se está esterilizado e se tem conhecimento de como sociabiliza com outros animais.

6 – Indague sobre a capacidade que a pessoa tem de proporcionar ao animal tratamentos veterinários caso necessite, bem como alimentação de qualidade razoável.


7 – Caso o animal não esteja esterilizado, combine com o adotante a altura em que deve ser feita a esterilização.  Se se tratar de um animal de raça pura pode estar perante alguém que pretende fazer criação para vender.
Por outro lado, um animal não esterilizado tende a fugir para a rua na primeira oportunidade que tiver, bem como a marcar território (gatos). Uma vez mais não se esqueça de pedir ao adotante que assine um termo de adoção responsável (ver coluna lateral) onde se compromete a esterilizá-lo. 

Se encontrar alguém que não compreenda e se sinta incomodado com a sua meticulosidade, então essa pessoa não será um bom potencial adoptante.

Nunca deixe alguém fazê-lo sentir que lhe está a fazer um favor ao adoptar o animal.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ode ao gato (Pablo Neruda)

Os animais foram
imperfeitos,
compridos de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco se foram
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, voo.
O gato,
só o gato
apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.
O homem quer ser peixe e pássaro,
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato
quer ser só gato
e todo gato é gato
do bigode ao rabo,
do pressentimento ao rato vivo,
da noite até seus olhos de ouro.
Não há unidade
como ele,
não tem
a lua nem a flor
tal contextura:
é uma só coisa
como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno
firme e sutil é como
a linha da proa de um navio.
Seus olhos amarelos
deixaram uma só
ranhura
para jogar as moedas da noite.
Oh pequeno
imperador sem orbe,
conquistador sem pátria,
mínimo tigre de salão, nupcial
sultão do céu
das telhas eróticas,
o vento do amor
na intempérie
reclamas
quando passas
e pousas
quatro pés delicados
no solo,
cheirando,
desconfiando
de todo o terrestre,
porque tudo
é imundo
para o imaculado pé do gato.
Oh fera independente
da casa, arrogante
vestígio da noite,
preguiçoso, ginástico
e alheio,
profundíssimo gato,
polícia secreta
dos quartos,
insígnia
de um
desaparecido veludo,
seguramente não há
enigma
na tua maneira,
talvez não sejas mistério,
todo o mundo sabe de ti e pertences
ao habitante menos misterioso,
talvez todos o acreditem,
todos se acreditem donos,
proprietários, tios
de gatos, companheiros,
colegas,
discípulos ou amigos
do seu gato.
Eu não.
Eu não subscrevo.
Eu não conheço ao gato.
Tudo sei, a vida e seu arquipélago,
o mar e a cidade incalculável,
a botânica,
o gineceu com seus extravios,
o por e o menos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo,
a casaca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro,
o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou na sua indiferença,
o seu olho tem números de puro.

(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)

Dedico este poema ao meu amigo gato Lua-Cheia, preto de olhos redondos amarelos como a lua...já não te vejo há muitas semanas, não sei de ti, mas tenho saudades do teu ser carinhoso e da tua presença reconfortante, quando te dava comidinha, todas as noites...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Passar ao lado...

"Poderia chamar-se Mike. Beagle. Ou Bobby...Mas não se chamava. Quando se aproximava das beatas da rua, crente de que lhe dariam um pouco de comida, chamavam-lhe simplesmente vadio.

Tenho uma amiga invisual que tem um gato cego. Talvez seja esse o verdadeiro significado da palavra "empatia". Se calhar por isso é que o cão e o sem-abrigo se aqueciam um ao outro quando o frio cortante do inverno teimava em não os deixar dormir.

Não sei porque me lembro disto. Lembro-me de um dia o sem-abrigo me pedir esmola e eu nem sequer para ele olhar. Não lhe disse que sim, nem lhe disse que não. Simplesmente ignorei-o.

Não sei porque porra é que me lembro que o sem-abrigo se cobria com um cobertor castanho com uma risca beje.

Sinto um nó na garganta. Não percebo porque não me dão mais comprimidos para dormir, para me afastar estes pensamentos.
Reina aqui um silêncio de morte. E eu só me vem à cabeça os olhos tristes do cão.

Vou morrer. Os médicos dizem que vou partir em breve, é como se os meus pulmões fossem um resto de madeira carbonizada por um incêndio florestal. Mas não me dói nada, deve ser dos comprimidos...
Só sinto o frio que o cão sentia, a fome que o cão sentia. A solidão.
Não sei porque é que as enfermeiras já não aparecem quando chamo. Queria pedir-lhes um comprimido para o nó que me está a apertar a garganta..."

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Compre um livro, ajude um animal!

Não tenho tempo nem jeito para fazer peças de artesanato, que poderia tentar promover para ajudar os animais. Por isso lembrei-me de colocar aqui uma lista de livros - todos eles usados, mas em bom estado - à disposição de quem os quiser adquirir pela singela quantia de 5 patinhas, com portes incluídos. Os 5 ronrons reverterão na totalidade para uma associação de ajuda animal.
O valor de um livro reside no seu conteúdo, pelo que o usufruto de um novo ou usado é semelhante. Espero que encontre algum que vá de encontro às suas preferências, pois estará ao mesmo tempo a ajudar os animais.


Se desejar encomendar algum livro, deverá proceder da seguinte forma:

·  Enviar-me um e-mail a indicar o livro que escolheu (soniamarinho@ymail.com)
·  Depois de obter a minha resposta a confirmar que o livro se encontra disponível, transferir o montante para o NIB da associação que escolheu ajudar
·  Enviar para o meu e-mail o comprovativo da transferência bancária, indicando-me a morada para a qual enviarei o livro

Deixo aqui o NIB de três associações, como sugestão, por me parecerem associações muito necessitadas de ajuda financeira. Contudo, poderá ajudar a associação que preferir!

Associação dos amigos dos animais de Albergaria - 0010 0000 3960 1140 0012 8

Associação dos amigos dos animais de Santo Tirso - 0033 0000 4538 6132 7730 5

Associação Saquetas de Rua - 0035 0358 0000 5062930 46

Gatil Bastet - 0035 0995 0058 0486 2300 6


Lista de livros disponíveis:
A natureza está louca (super interessante)
A tentação do milagre (Michael Cordy)
Algumas distracções (Francisco José Viegas)
As chaves da ciência (super interessante)
Astronomia de A a Z (super interessante)
Ciência divertida (super interessante)
Com a cabeça nas nuvens (Susana Tamaro)

Como água para chocolate (Laura Esquível)
Como ser ainda melhor gestor (Michael Armstrong)
Dormir nú é ecológico (Vanessa Farquharson)
E dizer-te uma estupidez qualquer, por exemplo, amo-te (Martín Córdoba)
Fim de Partida (Samuel Beckett)

Frágil (Jodi Picoult)- NOVO
Inventem-se novos pais (Daniel Sampaio)
Ninguém me seguirá (Nadine Gordimer) - NOVO
Nós as mulheres 2 (Maitema)
O Crepúsculo dos Vampiros (Sebastian Rook) - NOVO
O Deus das pequenas coisas (Arundhati Roy)- adquirido pela Silvina Ferreira, a favor do Gatil Bastet
O livro das origens (super interessante) - adquirido pela Silvina Ferreira, a favor do Gatil Bastet
O Mistério da Légua da Póvoa (Agustina Bessa-Luís)
O Reino do dragão de ouro (Isabel Allende)

O Vencedor está só (Paulo Coelho) - NOVO
Os contos de Beedle o Bardo (J.K. Rowling)

Quem mexeu no meu queijo (Dr. Spencer Johnson)

Queridos Gatinhos (Helen Exley) - adquirido pela Ana Paula Nogueira, a favor da Ass. Saquetas de Rua
Reis e Presidentes de Portugal (Super interessante) 4 volumes, 10 patinhas
Susana em lágrimas (Alona Kimhi)
Tão veloz como o desejo (Laura Esquivel)
Tudo o que temos cá dentro (Daniel Sampaio) - adquirido pela Silvina Ferreira, a favor do Gatil Bastet


O Miguel Ângelo ofereceu as 5 patinhas à Ass. Saquetas de Rua, mas deixou o livro escolhido disponivel para ser vendido novamente. Obrigada!