quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Vegetarianismo – parte 1 (será que precisámos de comer animais?)

“Tempos virão em que os seres humanos se contentarão com uma alimentação vegetariana e julgarão a matança de um animal inocente como hoje se julga o assassino de um homem”. Não obstante a diversidade de talentos deste génio histórico, Leonardo da Vinci não previu um futuro próximo. Infelizmente, nos nossos dias, os animais são chacinados pelo ser humano, sem que a matança seja considerada nada mais do que…normal. É normal matar animais para fazer casacos e carteiras de pele, é normal matá-los para testar cosméticos, é normal matá-los para comer, é normal matá-los por desporto (sim, dizem que caçar e pescar é desporto; um dia destes teclar talvez o seja também, oficialmente…). É normal. Não é crime. Então não temos que comer? Os animais também se comem uns aos outros!

Mas, será que precisamos mesmo de ingerir produtos de origem animal para sobreviver?

Vitamina B12 encontra-se apenas presente nos produtos animais, mas essa carência pode ser suprida pelo consumo de ovos e laticínios (os veganos não consomem estes alimentos). Quanto à presença de vitamina B12 nos alimentos de origem vegetal, ela não está propriamente presente em quantidade suficiente, nem de forma disponível. Alimentos como o tempeh, o miso, o molho de soja, o leite de soja , as algas marinhas e a spirulina têm a reputação de conterem vitamina B12, no entanto, não é a verdadeira vitamina B12 mas sim um análogo não activo (corrinóide não cobalamina). São substâncias similares mas que não funcionam da mesma forma no organismo. Para os vegans se certificarem de que ingerem a quantidade adequada de vitamina B12, devem consumir com regularidade (diariamente) suplementos comprados nas farmácias ou alimentos que foram enriquecidos com essa vitamina (verificar no rótulo dos alimentos).

Antes de ler o livro “comer animais” de Jonathan Safran Foer (JSF), não conseguia perceber porque é que alguns vegetarianos – os veganos -  optavam por não comer ovos e laticinios, parecia-me um exagero. Se não fosse do foro das suas escolhas pessoais, atrevia-me mesmo a pensar que era fundamentalismo. Mas não. As razões éticas que sustentam a opção de não comer carne, justificam a de não ingerir estes alimentos. Não vos quero maçar. A vós que fostes culturalmente moldados para ingerir carne e peixe e cuja apetência pelo palatável bife (temperado, não estou a insuar que vós salivais quando vêdes um bife a pingar sangue no talho) impede sequer de continuar a ler este texto sem me insultar até à exaustão, quanto mais de sequer pensar em deixar de comer carne. Quem quiser saber mais pode ler o livro (se quiserem eu empresto, mediante pagamento de um saco de ração para alimentar os gatos de rua). Eu só consegui até à página 60. Não sou uma pessoa extremamente sensível, mas a crueldade dos factos descritos já não me deixava dormir. Os veganos certamente não entendem bem porque é que as galinhas poideiras são engaioladas em jaulas pouco maiores do que o tamanho do seu corpo e obrigadas a viver toda a sua vida sentadas a pôr ovos. Não percebem porque é que os pintainhos machos das galinhas poideiras são amontoados uns em cima dos outros, morrendo os que estão por baixo por asfixia e os que ainda estão vivos triturados. Isto porque não são “galinhas de carne”, são poedeiras e os machos não põe ovos. Vou parar por aqui. Não vos maço mais. Foi só aproveitar 2 minutos para destilar o meu repúdio porque eu, que não sou vegana mas espero conseguir vir a ser, também não percebo.
Sem fugir ao cerne da questão, e porque o texto já vai longo, não se deixem enganar por quem diz que os vegetarianos consomem deficientemente proteínas. A American Dietary Association afirma que os vegetarianos tendem a ter um balanço melhor de proteína.

Carl Lewis

É sabido que os atletas de alta competição necessitam de ingerir mais proteínas do que o normal. Carl Lewis, ex-atleta dos Estados Unidos, conseguiu 10 medalhas olímpicas, nove das quais de ouro e 10 medalhas nos campeonatos mundiais de Atletismo, oito das quais de ouro. Vegetariano. Não vale a pena citar mais atletas que não precisam de se alimentar de animais para cortar a meta – teria de fazer uma vasta lista e o exemplo do Carl ilustra bem.
Todos os outros nutrientes que vos disserem que podem faltar a quem não come carne / peixe, são suficientemente aprovisonados por uma dieta vegetariana variada e equilibrada. Aliás, a incidência de doenças como cancro e hipertensão arterial é menor nos vegetarianos, não só pela não ingestão de carne, mas também pelo elevado consumo de anti-oxidantes e fibra.
Para concluir, deixo-vos a resposta de JSF quando lhe perguntaram “O que pensa de pessoas que comem carne?“
“ Eu não as julgo. E eu mesmo faço muitas coisas hipócritas na minha vida. As únicas pessoas que me incomodam são as que dizem não querer saber nada a respeito. Se alguém me diz "eu aprendi sobre o assunto, pensei nele e decidi que quero comer animais", isso é válido para mim.”

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Caça às bruxas

Se há algo que me incomoda são as superstições. Porque alimentam a ignorância. O que normalmente não traz bom resultados… Adiante! Os gatos pretos personificam ainda, em pleno século XXI, uma das mais disseminadas superstições das mentes menos iluminadas – dizem que dá azar!




Vem da Idade Média a crença de que os gatos pretos trazem azar. Foram mesmo incluídos pela Igreja Católica nas listas de seres hereges, perseguidos pela Inquisição, e queimados juntamente na fogueira com as supostas bruxas a quem pertenciam.

Não bastara essa triste época de perseguição felina, o infortúnio inquieta ainda hoje os nossos amigos de pelo preto. São as bruxas dos nossos dias que os procuram. Pessoas ignorantes, dignas da nossa piedade por serem tão pouco abonadas em neurónios funcionais, mas, sobretudo, merecedoras de punição e denúncia. Vamos aos factos. Existem pessoas que pretendem adquirir ou adotar um gato PRETO para sacrificá-lo, geralmente com requintes de crueldade e horror, em rituais de magia negra.

E se não bastasse, há também quem queira gatos BRANCOS para o mesmo propósito. Por isso, todo o cuidado é pouco na hora de ceder um gato totalmente preto ou totalmente branco para adoção.

Aqui ficam algumas dicas para evitar que o animal caia em mãos erradas:

- Apesar de as bruxas laborarem o ano inteiro, há alturas em que estão mais ativas: datas próximas de sextas-feiras 13, dia 31 de Outubro (dia das bruxas), 21 de Junho – (solstício de verão) e 21 de Dezembro (solstício de inverno). Opte por não doar gatos perto destas datas.

- É quase certo que não vão querer um gato castrado. Diga sempre que o gato que tem para doar está esterilizado de modo a observar se o adoptante perde o interesse. Mas atenção, os animais castrados nem sempre são preteridos, por isso todo o cuidado é pouco.

- Não divulgue fotos do gato em que não se tenha a certeza que é, de facto, totalmente preto. Deixe depois escapar, em conversa, que o gato tem uma mancha branca algures, na pata ou na barriga, por exemplo; se não for totalmente preto, certamente não servirá para esses bárbaros rituais.

- Vá até à casa do adotante e observe cuidadosamente tudo. Faça-o assinar um termo de adoção responsável, exija uma cópia do bilhete de identidade e diga que faz questão de fazer visitas regulares nos próximos dias.

(exemplo de termo de adopção na coluna lateral direita do blog)

- Se tiver suspeitas fundamentadas de que alguém procura adotar um animal para o submeter a maus tratos, divulgue os dados da pessoa em questão pelas associações de proteção e adoção de animais (pode começar por avisar a “adopta-me”: info@adopta-me.org).

- DENUNCIE! Sempre presenciar qualquer tipo de maus-tratos contacte as autoridades (http://www.animalife.pt/pagina/13/apresentar-queixa-informacao/).

domingo, 31 de julho de 2011

Ao Sr. Paulo Rangel

Recentemente no seu blog, o Sr. Paulo Rangel, eurodeputado, entreteve-se a vituperiar milhares de cidadãos deste país, à conta destes reivindicarem para os animais alguns direitos que lhes são negados (http://paulorangel2010.blogspot.com/2010/03/os-caes-ladram.html). Ora, se a falta de conhecimento da realidade justifica, a meu ver, a falta de argumentação desse modesto texto escrito pelo senhor em questão, não poderá nunca justificar o insulto e a falta de educação de um cidadão, quanto mais de um politico com representação internacional.
Diz o Sr. Paulo que os defensores dos direitos dos animais “ladram” enquanto a sua caravana passa e que o partido que surgiu recentemente para dar voz a esses animais, pretende “(z)urrar” no parlamento – ao que parece o Sr. Paulo acha que o Parlamento é um lugar para burros, pois sinta-se então à vontade para enfiar a carapuça, com o cuidado de deixar bem visíveis as orelhas para que todos possamos ter bem presente a que espécie é que o Sr. pertence (pena que não seja à dos que estão em extinção…).
Não é o primeiro. Muitos reagiram aos 57849 votos que o PAN obteve, não esquecendo que este partido foi oficializado apenas cinco meses antes das eleições. Num vergonhoso desvio aos valores democráticos, todos estes eleitores e os demais que se revêem nas ideias defendidas pelo partido dos animais (racionais e não racionais) são visados pelos comentários injuriosos dos que, tal como o Sr. Paulo, já não conseguem conviver com a agitação que provocam tantos cães a ladrar. E são muitos … cães e gatos nas nossas ruas sujeitos a maus-tratos indescritíveis por parte de seres humanos menos escrupulosos, ao sofrimento extremo de vários dias sem comer nem beber, ao frio e à doença. Milhares de instituições, associações e particulares deste país procuram combater este flagelo, com entrega e sacrifícios pessoais. Substituem-se a quem teria o dever de o fazer, ainda que sem devoção. A Resolução da Assembleia da República n.º 69/2011 recomenda que o governo promova junto dos canis municipais uma política de não abate dos animais errantes – mas sob a conduta do governo laranja, são diariamente abatidos dezenas de animais nos canis portugueses. Diz a mesma Resolução que devem ser adoptados meios eficazes de controlo de reprodução dos animais, mas são uma vez mais as instituições particulares que estão diariamente no terreno a capturar os animais para os esterilizar, pagar do seu bolso essas castrações, sem ter a quem apresentar a factura. Sabe para quê, Sr. Paulo? Para que haja menos cães a ladrar nas ruas enquanto a sua caravana passa ao lado…vê como afinal até somos seus amigos?!
Sabe, as nossas instituições de defesa animal “exportam” muitos animais para a Alemanha. Animais deficientes que aqui não poderiam esperar mais do que a eutanásia e que lá são recebidos e tratados com dignidade. Nunca se cruzou com nenhum nas suas viagens de trabalho? Não?! Acredito, eles não viajam em primeira classe. E em resposta ao “rendimento mínimo” que diz que um dia destes estaremos a pedir para os pobres peludos, veja o que fazem nos países civilizados, com políticos de nível, a mesma Alemanha, que em tempos de crise aprovisiona a “sopa dos pobres” para os animais cujos donos já não conseguem pagar a alimentação: http://blogdaanimal.blogspot.com/2009/09/alemanha-animais-afectados-pela-crise.html.
Infelizmente não perspetivo a mudança deste triste cenário nos tempos de austeridade em que vivemos, até porque haverá pessoas a quem deve ser dada prioridade. Na certeza, porém, que cabe ao governo zelar pelos direitos de todos os animais. Pela abordagem arrogante e egocêntrica do Sr. Paulo, chego até a acreditar que este desconhece que todos derivamos de um ancestral comum mais ou menos afastado e, como animais que somos, partilhámos com os demais inúmeras características como a capacidade de sentir medo, dor, tristeza e alegria.