terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Save a Life


Video de agradecimento aos adotantes e a todos os que me ajudaram a ajudar os patudos!
Espero que gostem tanto de assistir ao video como eu gostei de fazê-lo :-)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Toxoplasmose - a culpa não é do gato!

É frequente o abandono de gatos pelas futuras mamãs, não só pela falta de informação no que toca à Toxoplasmose, mas sobretudo pelo medo. Recordo-me de uma colega, quando estava grávida, profissional de saúde devidamente formada e informada, me ter contado que se levantou do sofá quando a gata de uns amigos se sentou, no extremo oposto... Como quase sempre acontece, o medo tem a força de se sobrepôr à razão. Contudo, como acredito que a informação é a melhor forma de prevenir estas infelizes situações, deixo-vos algumas informações sobre o tema.


Explicação do ciclo de vida do parasita Toxoplasma gondii:

O gato, hospedeiro definitivo do parasita (é nos gatos e outros felinos infectados pela doença que o parasita se reproduz), liberta através das fezes os oocistos, que, uma vez no solo, água ou plantas, são ingeridos por outros animais, como pássaros e roedores; estes funcionam então como hospedeiros intermediários (aqui, os oocistos vão transformar-se em taquizoítos), infetando o gato quando este se alimenta deles. Os oocistos podem também ser ingeridos por outros animais, como o porco, a ovelha e outros caprinos. Estes são também parasitas intermediários, transmitindo ao ser humano os cistos presentes nos seus músculos, através da ingestão de carne insuficientemente cozinhada.

Outras vias de contaminação do ser humano são a ingestão de comida ou água infectadas pelos oocistos – água ou vegetais provenientes de solos contaminados. A infecção pela carne pode dar-se não somente pelo consumo, como também pela manipulação da carne crua, contato com superfícies de preparação de alimentos, facas e outros utensílios.
O transplante de órgãos ou transfusão de sangue contaminado constituem também vias de infecção. A transmissão vertical, da mãe para o feto, é outra via possivel de aquisição da doença.

O T. gondii, pela sua versatilidade, dependendo do hospedeiro e da via, pode ser infectante em qualquer estágio evolutivo (taquizoítos, cistos e oocistos), fato que amplia muito, em condições naturais e laboratoriais, os riscos de infecção para os animais domésticos e o homem.


O Gato doméstico
O contato directo com gatos que excretaram fezes frescas não é capaz de causar infecção. Normalmente, o gato quando defeca enterra as sua fezes no areão ou num espaço de terra. Geralmente as fezes são consistentes pelo que o gato pode estar doente e, mesmo neste caso, pouco ou nenhum resíduo fecal fica aderido à região perineal e os gatos, em geral, não estão diarreicos durante o período de excreção de oocistos. Por outro lado, o gato é extremamente higiénico e nenhuma matéria fecal se encontra no pelo de animais clinicamente normais (por conseguinte a possibilidade de transmissão para o animal humano através do contacto directo é mínima ou inexistente). Também as mordidas e os arranhões são improváveis vias de transmissão pois dificilmente se encontra o agente infeccioso na cavidade oral de gatos com infecção activa e nenhum em infecção crónica.
Os oocistos libertados pelo gato só ao fim de 1 a 5 dias sofrem esporulação, logo, só ao fim deste tempo se tornam infecciosos.

Patologia no ser humano
No homem, é a principal causa de encefalite nos indivíduos afectados pela síndrome da imunodeficiência imunológica adquirida (SIDA), causando também lesões neurológicas e oftálmicas em crianças expostas durante a vida intra-uterina (se a infecção materna tiver sido antes do início da gravidez não há qualquer perigo, mesmo que existam cistos) e em indivíduos imunodeprimidos. (fonte: Direcção Geral de Veterinária)

Prevenção
A prevenção da infecção de cães e gatos baseia-se principalmente em cuidados com a alimentação destes animais, não permitindo que consumam carne crua ou mal-cozida, prevenindo assim a exposição a cistos teciduais. Os animais devem ser mantidos domiciliados e bem alimentados, prevenindo que venham a caçar roedores e aves que possam estar infectados.
A toxoplasmose no homem deve ser prevenida pela cocção adequada dos alimentos cárneos, pela lavagem das frutas e verduras, assim como dos instrumentos e superfícies utilizadas na preparação dos mesmos.

Nem as pessoas que criam gatos, bem como os veterinários possuem um risco significante maior de adquirir a toxoplasmose do que a população em geral, o mesmo valendo-se para gestantes e pacientes imunodeprimidos. Assim, esta população não deve ser afastada dos seus animais. As precauções são simples, consistindo na remoção das fezes dos felinos diariamente, prevenindo a esporulação de possíveis oocistos no convívio humano, tarefa que não deve ser realizada por gestantes e pacientes com imunodepressão. Devem ser utilizadas luvas sempre que sejam manipuladas as fezes dos gatos, assim como nos procedimentos de jardinagem.

Precauções na gravidez
Não existem exames que detectam se os gatos possuem ou não o protozoário Toxoplasma gondii; As mulheres grávidas devem evitar o contato com fezes de gatos, pois estas podem conter oocistos, não ingerir água de origem desconhecida e sem estar fervida, nem carne crua ou mal cozida durante a gravidez. (Fonte:http://www.hospvetprincipal.pt/toxoplasmose.htm)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Declaração sobre Circos com Animais de Nuno Markl

Caros seguidores, confesso que não tenho tido muito tempo para escrever sobre os inúmeros temas que ainda desejo explorar neste blog. Por isso vou aproveitar e deixar-vos uma belíssima crónica de Nuno Markl. Apreciem!

"Há algumas semanas, num dia soalheiro, junto à Marginal, um circo encarregou-se de me estragar o dia. Mas isso é o menos, um dia estragado, para mim, será sempre uma coisa relativa quando alguém tinha o dia (ou, melhor dizendo, os dias) muito mais estragados que o meu.

Um dromedário debatia-se com uma chocante falta de espaço, encafuado dentro de uma jaula, sem saber o que fazer ao longo pescoço. Uma vida sem sentido, enfiada mal e porcamente numa caixa. Como um brinquedo, mal arrumado dentro de uma embalagem pequena demais.
Chamem-me esquisito, mas eu tenho esta ideia de que não é suposto um dromedário estar em Carcavelos, ao pé da Marginal. Muito menos amarfanhado numa jaula da qual sai só à noite, para entreter os humanos da linha de Cascais.

Como este dromedário, há muitos outros animais - grandes, pequenos, selvagens, domésticos - transformados em bonecos de corda confusos e tristes, em circos espalhados pelo país.

E sim, eu já fui criança e preparo-me para ser pai. Sei o quão apetecível é a perspectiva de estar perto de animais extraordinários e vê-los levar a cabo feitos impensáveis.
Mas os verdadeiros feitos impensáveis destas criaturas são os que eles levam a cabo todos os dias nos seus habitats naturais, de onde, em muitos casos, estão a desaparecer. A
 maneira como sobrevivem, como se organizam, como levam as suas vidas em liberdade e sem que haja um ser humano desumano a obrigá-los a fazer habilidades à força do chicote.
Há tanta gente a queixar-se que Portugal é um país eternamente atrasado, que é um país que não anda para a frente; sem dúvida que tratar os animais desta maneira abjecta para fins de entretenimento em nada contribuirá para que progridamos. Pelo contrário: isso mantém um dos pés da nação firmemente plantados no passado.

E não é num passado qualquer: a existência de circos com animais e a maneira como tanta gente continua a caucionar essa existência, sejam particulares ou empresas (supostamente modernas, sofisticadas e responsáveis) que continuam a apostar neles, por exemplo, para as suas festas de Natal, é algo que - não tenhamos ilusões e enfrentemos a realidade - faz de nós um país demasiado medieval para o século XXI.

Somos melhores do que isso. Se admiramos os animais ao ponto de querermos que os nossos filhos os vejam de perto e os adorem, ensinemos-lhes que adorar um animal, é ter a consciência de que não é suposto um elefante, um tigre, uma pantera viverem dentro de jaulas num terreno vago ali ao pé de um prédio de apartamentos.

Provemo-nos merecedores de sermos chamados de humanos e civilizados. Sensibilizemos quem tem o poder de impedir que a terrível exploração de animais continue a acontecer nos circos portugueses.

Os circos podem - devem - continuar a existir. Inúmeros circos bem sucedidos, espalhados pelo mundo inteiro, conseguiram provar que um circo sem animais consegue ser ainda mais extraordinário e surpreendente que um circo que segue a via mais fácil e depende deles, arrogantemente, para fazer dinheiro. Um circo sem animais consegue mostrar o engenho humano voluntário de mil e uma formas surpreendentes. E isso é muito mais interessante e estimulante, para adultos e crianças, do que continuar a exibir o engenho animal forçado.

Nuno Markl"

Homens e Animais
A Voz da Razão in Correio da Manhã 09/Maio/2009

domingo, 9 de outubro de 2011

Abrigo para gatos de rua


O meu Gabriel, a certificar a qualidade do abrigo.

Deixo-vos aqui a "casota" que improvisei para os gatinhos que a Cláudia, do Porto, protege.

Assegura alimentação a 3 gatinhos que costumam pernoitar no quintal de uma vizinha, mas tinham muito frio durante a noite.


O esferovite é um óptimo isolante térmico, pelo que se ajusta perfeitamente à necessidade de proporcionar algum conforto aos nossos amigos peludos carenciados.
Tem a desvantagem de não ser propriamente discreto para ser colocado na rua, mas quando possível é, sem dúvida, uma opção fácil e económica.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Adoção responsável

Resgatar um animal da rua e dá-lo para adoção requer algumas precauções. Uma adoção por impulso, de alguém que não está seguro da sua opção de ter um animal de estimação, pode resultar em abandono ou negligência para com o animal. Pessoalmente, tento sempre certificar-me de que a pessoa que recebe o animal é um bom adotante.  Quando damos um animal deixámos de ser nós a garantir que vive condignamente, restando-nos confiar na pessoa que o adota. Por isso nunca é demais questionar, pedir ao adotante que nos envie fotos do animal periodicamente e fazer o adotante assinar um termo de adoção responsável. Peça à pessoa que o devolva se não se adaptar ou se se arrepender – assim minimiza o risco de que o animal que deu seja abandonado.

Aqui ficam alguns conselhos:

1 - É bastante comum as pessoas procurarem um animal para oferecer a outra pessoa. Deve sempre falar diretamente com a pessoa que vai receber o animal, para se certificar que o deseja realmente adoptar. Um animal nunca deve ser um presente surpresa.
Nunca entregue um animal a uma criança ou menor sem o consentimento dos pais.


2 - Pergunte ao futuro adotante se vive com outras pessoas e se estas também desejam receber o animal. Deve tambem informar-se se há alguém em casa que seja alergico a cães ou gatos.

3 – Certifique-se que o animal não terá acesso ao exterior desacompanhado. Atropelamento, lutas com outros animais e contágio de doenças são motivos que bastam para não se permitir que um gato ou um cão andem a passear sozinhos.

4 - Os gatos e cachorros vão, na maioria das vezes, causar alguns estragos como arranhar sofás ou roer objetos, correr pela casa ou saltar para cima de camas e deixar pêlos...
O futuro adotante deve ter consciência que ter um animal não é o mesmo que ter um peluche ou um cão de loiça.

5 – Pergunte à pessoa se tem outros animais; se a resposta for positiva, pergunte se está esterilizado e se tem conhecimento de como sociabiliza com outros animais.

6 – Indague sobre a capacidade que a pessoa tem de proporcionar ao animal tratamentos veterinários caso necessite, bem como alimentação de qualidade razoável.


7 – Caso o animal não esteja esterilizado, combine com o adotante a altura em que deve ser feita a esterilização.  Se se tratar de um animal de raça pura pode estar perante alguém que pretende fazer criação para vender.
Por outro lado, um animal não esterilizado tende a fugir para a rua na primeira oportunidade que tiver, bem como a marcar território (gatos). Uma vez mais não se esqueça de pedir ao adotante que assine um termo de adoção responsável (ver coluna lateral) onde se compromete a esterilizá-lo. 

Se encontrar alguém que não compreenda e se sinta incomodado com a sua meticulosidade, então essa pessoa não será um bom potencial adoptante.

Nunca deixe alguém fazê-lo sentir que lhe está a fazer um favor ao adoptar o animal.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ode ao gato (Pablo Neruda)

Os animais foram
imperfeitos,
compridos de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco se foram
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, voo.
O gato,
só o gato
apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.
O homem quer ser peixe e pássaro,
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato
quer ser só gato
e todo gato é gato
do bigode ao rabo,
do pressentimento ao rato vivo,
da noite até seus olhos de ouro.
Não há unidade
como ele,
não tem
a lua nem a flor
tal contextura:
é uma só coisa
como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno
firme e sutil é como
a linha da proa de um navio.
Seus olhos amarelos
deixaram uma só
ranhura
para jogar as moedas da noite.
Oh pequeno
imperador sem orbe,
conquistador sem pátria,
mínimo tigre de salão, nupcial
sultão do céu
das telhas eróticas,
o vento do amor
na intempérie
reclamas
quando passas
e pousas
quatro pés delicados
no solo,
cheirando,
desconfiando
de todo o terrestre,
porque tudo
é imundo
para o imaculado pé do gato.
Oh fera independente
da casa, arrogante
vestígio da noite,
preguiçoso, ginástico
e alheio,
profundíssimo gato,
polícia secreta
dos quartos,
insígnia
de um
desaparecido veludo,
seguramente não há
enigma
na tua maneira,
talvez não sejas mistério,
todo o mundo sabe de ti e pertences
ao habitante menos misterioso,
talvez todos o acreditem,
todos se acreditem donos,
proprietários, tios
de gatos, companheiros,
colegas,
discípulos ou amigos
do seu gato.
Eu não.
Eu não subscrevo.
Eu não conheço ao gato.
Tudo sei, a vida e seu arquipélago,
o mar e a cidade incalculável,
a botânica,
o gineceu com seus extravios,
o por e o menos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo,
a casaca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro,
o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou na sua indiferença,
o seu olho tem números de puro.

(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)

Dedico este poema ao meu amigo gato Lua-Cheia, preto de olhos redondos amarelos como a lua...já não te vejo há muitas semanas, não sei de ti, mas tenho saudades do teu ser carinhoso e da tua presença reconfortante, quando te dava comidinha, todas as noites...